_________________________________Espumas no Rio Tiete em Pirapora do Bom Jesus 38 anos


Saponificação Antrópica I


Os cursos d'água são notavelmente auto-renováveis, basta ao homem, através de uma nova forma de manejo adequado a ser criado, dê condições para tal. Uma das ferramentas é a promoção das mudanças de camadas tróficas (cadeia alimentar) naquele ecossistema aquático para que ocorra a auto-renovação de suas águas rapidamente.


Massao Okazaki – Bacharel em Eng. Civil - Mack/77
Pesquisas livres e voluntárias, desde o ano 2000, na questão dos recursos hídricos e socioambientais - membro do Comdema de Jundiaí desde 2003.
Propondo desde então uma nova forma de tratar os esgotos domésticos e industriais.

Em comemoração do Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil


Jundiaí - Abril/2005
Até o final do ano passado, considerava, como os demais ambientalistas, as empresas de produtos de “Higiene e Limpeza” como os grandes causadores da poluição e das espumas em nossos rios.
Para minha surpresa, a realidade parece ser outra, estudando amadoramente, na net, a questão dos rios poluídos, e analisando relatórios de ETEs, cheguei a conclusão que deve estar ocorrendo a “saponificação antrópica” nos rios poluídos (ver sobre a história do sabão no site indicado no rodapé).
A colaboração dos produtos de “higiene e limpeza” na formação da espuma deve ser ínfima, pois, a massa total de saponáceos lançados no esgoto pelo homem é muito pequena (traços) perante todo o volume e vazão do rio Tietê.
 
Justifico, citando um exemplo, na hidrólise as bactérias decompõem os poluentes orgânicos tendo como um dos subprodutos a amônia. Simultaneamente, na fase ácida, outros microorganismos produzem ácidos graxos de todos os tipos.
Durante e após a violenta agitação resultado da descarga das águas poluídas em barragens, a amônia e os ácidos graxos entram em contato formando um dos tipos de saponáceos antrópicos.  O mesmo deve estar ocorrendo com os saponáceos a base de sódio.
Resumindo, na agitação, devem estar ocorrendo os encontros involuntários de ácidos graxos de todos os tipos com diversas bases formando assim saponáceos antrópicos.
 
No caso que ocorreu em Pirapora, em Maio/2003, um trecho de ~4 km ficou coberto de espuma, numa largura de ~100 metros e espessura de ~5 metros acima da linha d'água, totalizando ~2.000.000 m³ de espuma !!! de forma continuada por ~8 horas.
O volume de espuma formado deve ser muito maior, difícil de se calcular, pois, não dá para se estimar a enorme quantidade de flocos de espuma que o vento levantou ao ar na forma de aerossóis.
 
Avaliação da quantidade de saponáceos lançados pelo homem na RMSP
 
Lançada:
Tomando por base o consumo médio por mês de saponáceos por uma família composto de 4 pessoas, temos:
2    Pedras de sabão  ------------------------------------>   400 gramas/mês
3    Caixas de sabão em pó  --------------------------> 3.000 gramas/mês
0,5 Caixas de amaciante ------------------------------->    500 gramas/mês
3    Frascos de shampoos -----------------------------> 1.050 gramas/mês
1    Condicionador de cabelos ------------------------>    300 gramas/mês
5    Sabonetes  --------------------------------------------->    450 gramas/mês
4    Detergentes de pia  --------------------------------->  2.000 gramas/mês  
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Totalizando o consumo total de ---------------------->  7.700 gramas/mês 
de saponáceos fabricados pelo homem.
 
O valor acima dividido por quatro resulta em um consumo médio de 1,925 Kg de sapon./ mês x hab. na RMSP.
Dividindo por 30, temos o consumo aprox. de 0,0642 Kg de Sapon./dia x habit.
Os dados acima foram superestimados para incluir em cada habitante a fração lançadas pela indústria e comércio em geral.
Deve-se levar em conta que mais de 30 % da população vive em condições de extrema pobreza e que não consome tantos produtos de higiene e limpeza.
Estimando-se a população da RMSP em 15.000.000 de habitantes teremos um consumo total de 962.500 Kg de Sapon./ dia e que equivale a um lançamento de saponáceos total estimado em 11,14 Kg de Sapon./ Seg. no rio Tietê.
Arredondando para cima, a RMSP lança somente 
12 Kg de sapon./seg ! 
Da massa de saponáceos não foi retirada a massa correspondente a água que é significativa e que foi usada no processo de fabricação do mesmo.

 
Necessária:
Por outro lado, temos que estimar a quantidade de saponáceos necessária para fazer uma boa quantidade espuma, por exemplo, na barragem de Pirapora.
Para tanto, vou usar um número obtido com as donas de casa da vizinhança.  Segundo elas, são necessários 2 1/2 copos americanos de sabão em pó para fazer uma quantidade exagerada de espuma em uma máquina de lavar roupa (50 litros).
Portanto, são necessários 250 gramas de saponáceos para 50 litros de água limpa.  Dessa relação posso estimar que são necessários 5 Kg de sapon./ m³ de água limpa para formar uma boa quantidade de espuma.
Considerando a vazão de descarga média na barragem de Pirapora de 250 m³/seg, deduzo que são necessários o lançamento contínuo, a montante da barragem, pasmem, de
1.250 Kg de sapon./seg !
São necessários, portanto, uma quantidade aproximada de saponáceos
100 vezes maior que o lançado pelo homem na RMSP. Com apenas 12 kg de sapon./seg de saponáceos não há como formar tanta espuma, além do mais, até chegar em Pirapora o poder deles deveria se reduzir drasticamente.
 
De onde surge toda essa quantidade de saponáceos?  Como ela se multiplica e aumenta em quantidade e seu poder de detergente não se reduz, pelo contrário também aumenta indefinidamente?
Deduzo que deve ser por ação antrópica, resultado do nosso descuido com os recursos hídricos e ineficiência das ETEs em funcionamento.  Surgem acidentalmente sabões a base de amônia e de soda principalmente.
 
O rio Tietê e o rio Pinheiros e as atuais ETEs em operação na RMSP, situadas a montante de Pirapora/SP devem estar fazendo a função de gigantescas fábricas de saponáceos antrópicos de todos os tipos.
 
Fixação do Nitrogênio:
 
Baseado em farta literatura disponível na net, microorganismos do reino monera assimilam nitrogênio atmosférico, aumentando assim a biomassa nitrogenada. 
Por exemplo, as poderosas algas azuis, que estão por toda a parte, assimilam nitrogênio atmosférico.  Pior, nós humanos criamos ambientes ideais para o aparecimento e crescimento delas nas redes de esgotos, canais, represas e etc. e não cuidamos delas. 

Para agravar ainda mais a situação os saponáceos antrópicos ajudam a manter em suspensão os poluentes orgânicos causando turbidez orgânica que impede a fotossíntese, ou seja, facilitamos a vida das bactérias.
Na superfície de ambientes aquáticos lênticos e poluídos predominam as algas azuis de todas as cores que impedem a passagem de luz, criando assim, nas camadas inferiores, ambiente ideal para os microorganismos anaeróbios que deixam as águas escuras rapidamente.

Os crescimentos das algas azuis e dos microorganismos anaeróbios são explosivos, consequentemente deixam as águas turvas rapidamente e ajudam na formação do lodo.

Como enfrentar a situação ?
 
Felizmente, a correção disso tudo é relativamente simples e rápido, basta revermos alguns conceitos e iniciarmos, já, a despoluição do rio Tietê.
Considero que não temos alternativa, temos que efetuar a reversão do rio Pinheiros de uma forma diferente do que sempre foi feita até hoje.
Basta aproveitarmos toda estrutura projetada e construída pelo brilhante engenheiro Billings, a quem os paulistanos devem agradecer eternamente, e que hoje se encontra ociosa e efetuarmos a reversão proposta no sistema “vai-vem” ou “duas mãos”.
Por favor, visitem a série de propostas intituladas “Renascimento do Projeto Billings” indicadas no rodapé, onde descrevo sobre a reversão proposta.
Favor acessar o site da EMAE ( ) para obter maiores informações históricas e técnicas a respeito das Usinas Elevatórias Traição e da Pedreira.
 
Revisão de alguns conceitos:
 
--- Devemos reconhecer o valor das plantas aquáticas e contemplar o seu uso consorciado e manejado, ocupando a menor área possível, e que irão servir de berçário, substrato e fonte alimento para os organismos dos reinos fungi, protista, plantae e animalia que depuram a água.
 
“Os aguapés manejados estarão para a água poluída em tratamento, assim como os manguezais e os recifes de corais já estão para as águas dos oceanos”
 
--- Comprovar que a presença das partículas coloidais de terra ajuda no processo de despoluição das águas. Elas servem de substrato para o surgimento e crescimento de microorganismos aeróbios decompositores, por exemplo, dos fungos aquáticos e protozoários e transportam adsorvido o oxigênio necessário para os mesmos.  Outro exemplo, as diatomáceas, constroem suas carapaças com a sílica e ajudam a consumir os poluentes que iriam formar o lodo.
 
--- Contemplando o uso das partículas coloidais de terra, entre eles a sílica, irão ocorrer os dois fenômenos físicos denominados "Tyndall Effect" e “Brownian Movement”, que vão permitir que a luz solar penetre camadas mais profundas da lâmina d'água favorecendo assim a fotossíntese.
 
--- Proponho que deveríamos diferenciar a turbidez causada pela suspensão de poluentes orgânicos da turbidez causada pela suspensão de matéria inorgânica (terra coloidal). O primeiro impede a entrada de luz ao contrário do segundo (ver item anterior).
 
--- A reversão proposta vai manter a água do canal Pinheiros sempre em movimento (maretas e turbulências), ao contrário do que ocorre hoje (paradas). Justifico, a grande maioria dos microorganismos aeróbios consumidores de material orgânica em decomposição, são mais pesados que a água e, portanto, tendem a afundar, pois, não tem função locomotora, se tem são precárias.  Caso esses microorganismos apareçam, eles tendem a afundar por falta de movimento da água e ajudam na formação do lodo. As maretas favorecem também a ocorrência do efeito prisma na refração da luz solar (fotossíntese).  
 
--- A presença de terra também corrige naturalmente o pH e vai reduzir significativamente a emanação de gases malcheirosos, pois, com a presença da terra coloidal, após a hidrólise ela ajuda a diminuir a fase ácida e metanogênica da decomposição do poluente orgânico.
 
Massao Okazaki - Eng. Civil – Voluntário sócio- ambiental
Apenas para registro: Membro do Comdema de Jundiaí/SP

     
Referências:
A respeito da história do sabão  
Outro site a respeito da saponificação, entre muitos disponíveis na net:
 
Registros fotográficos do que aconteceu em 2003 na cidade religiosa de Pirapora/SP

 
Conjunto de artigos propositivos:    
 
 “Fenômenos biológicos e as Estações de Tratamento de Esgotos”

“Perda de água por ação microbiana”

"Renascimento do Projeto Billings - Uma questão de Justiça"
“Renascimento do Projeto Billings 2ª parte – Fenômenos Naturais Envolvidos”
“Renascimento do Projeto Billings – Milagre Ponunduva”

“Renascimento do projeto Billings - Intemperismo das rochas”

“Renascimento do projeto Billings – Salvinias no braço rio Grande”
 
“Renascimento do projeto Billings – Barragem Pirapora / rio Tietê”
   
 

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